A CAMINHO DA PÁSCOA

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Com a Quarta-feira de Cinzas iniciamos a caminhada rumo a Páscoa. São quarenta dias que nos separam dessa grande celebração. A Quaresma é o grande retiro espiritual das comunidades cristãs que se preparam para celebrar o acontecimento maior de nossa fé: a ressurreição de Jesus. A liturgia de hoje apresenta duas propostas que nos ajudam a trilhar o caminho da conversão durante este tempo de preparação para a Páscoa: a temátíca do evangelho e a Campanha da Fraternidade.
O evangelho de hoje está dentro do “sermão da montanha” – espécie de ”’constituição” do povo cristão apresentada por Ma teus. São três gestos que devem ser assumidos com discrição e com maior seriedade neste tempo quaresmal, sem visar à autopromoção: esmola, oração e jejum.
A esmola é um gesto gratuito de solidariedade e de partilha em favor daqueles que sofrem alguma necessidade. Durante este tempo somos convidados a abrir os olhos para ver a realidade que nos cerca e abrir as mãos para o pobre. O ato de bondade.para com os outros é, sempre e em todo lugar, ato nobre.
A oração não deve ser um emaranhado de palavras, tentando impressionar os outros e a Deus. Deve-se evitar todo espetáculo público centrado em si mesmo. A pessoa que reza em busca de aplauso não faz oração. É um contra-senso louvar a Deus para engrandecer-se.
O jejum nos ajuda a exercitar nosso autodomínio e a renúncia aos apelos do consumismo. Privando-nos de algo importante, entramos em comunhão com aqueles que são privados dos bens fundamentais para uma vida digna.
A Campanha da Fraternidade também, todos os anos, nos faz um apelo concreto de conversão. Este ano ela nos leva a refletir sobre o tema: “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema:, “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Como podemos perceber pelo tema e pelo lema, ela nos convida a rever nosso modo de pensar e de agir em relação à natureza, obra de Deus. A humanidade, com a exploração, a depredação e a ânsia do lucro, acaba transformando o cosmos em caos.

Pe. Nilo Luza, ssp