Edith Stein, uma Santa Judia

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Edith nasceu na Alemanha, em Breslau, no ano de 1891. Tornou-se famosa professora de Filosofia numa universidade alemã. Sua mãe procurou educá-la na religião judaica, mas ela declarou-se ateia, sem crer em Deus. Certo dia cai-lhe nas mãos a autobiografia de Santa Teresa de Ávila. Leu o livro e concluiu: “Aqui está a plena verdade”. Leu o catecismo católico e entrou pela primeira vez numa igreja para participar da missa. Aconteceu o milagre da conversão súbita e radical.

Edith recebeu o batismo e, aos 42 anos, disse à mãe que entraria para a vida religiosa, na Ordem das Carmelitas Descalças. No Convento de Colônia, em 1933, tomou o nome de Teresa Benedita da Cruz. Ela buscou, no recolhimento interior, a fonte de seu dinamismo, declarando: “Quanto mais profundamente alguém é atraído para Deus, tanto mais intensamente deve sair de si para irradiar no mundo a vida divina”.

Para escapar à perseguição nazista, foi transferida para o Carmelo na Holanda, em 1940. Mas quando esta nação foi ocupada pelos nazistas de Hitler, o Carmelo foi invadido e Irmã Teresa, e sua Irmã Rose, também carmelita, foram levadas para o campo de extermínio de Auschwitz, Polônia, onde as duas morreram na câmara a gás, juntamente com 998 judeus.

Edith foi beatificada em 1987 e canonizada em 1998 pelo Papa São João Paulo II, com o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz. Ela sempre afirmava: “Não há cristianismo verdadeiro, genuíno, sem participar, no mistério da Cruz. Os santos compreenderam esta realidade e a Cruz os elevou até os cumes do amor de Deus: dar a vida. Quanto mais profundamente alguém é atraído para Deus, tanto mais intensamente deve sair de si para irradiar no mundo a vida divina”. Para judeus e cristãos, Edith Stein é um duplo paradigma. Como filósofa judia, honrou pela vida e o martírio o holocausto do povo eleito, na câmara de gás. Como cristã carmelita, morreu com sua irmã Rose e milhões de descendentes de Abraão, vítimas do nazismo, das piores ideologias ateias e sanguinárias do século 20.

Dom Urbano Allgayer
Bispo emérito de Passo Fundo (RS)