Ir à Missa pode significar a morte para os católicos na Síria

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“A oração é a melhor arma que temos”, afirmou Mieiille Al Farah, uma  cristã de Damasco (Síria), durante a apresentação do Relatório sobre a Liberdade Religiosa da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), onde denunciou a perseguição sofrida pelos cristãos, para quem até “ir à Missa significa arriscar a que sejam mortos”.

“Meu primo, cristão, morreu faz alguns dias na Síria. É mártir pela fé”, acrescentou a jovem que agora mora em Barcelona (Espanha). Mieiille recordou que no passado os cristãos podiam andar com a cruz pendurada e ter as portas das igrejas abertas. Porém, tudo mudou durante a guerra e se agravou com a entrada do Estado Islâmico (ISIS) que busca instaurar um califado no Iraque e Síria.

Apesar disso, Mieiille afirmou que “a oração é a melhor arma que temos”, e os cristãos inclusive “devemos rezar pelos perseguidores”.

Por sua parte, o Patriarca da Igreja Grego-Católica Melquita, Gregorio III Laham, denunciou que na Síria há “uma perseguição não declarada”, com dois mil cristãos assassinados, entre eles dois bispos e quatro sacerdotes, assim como um número indeterminado de sequestrados. Além disso, dos dez milhões de deslocados, 450.000 são cristãos.

Do mesmo modo, o diretor da AIS na Espanha, Javier Menéndez Ros, denunciou que na Síria está sendo “consentido se não um genocídio, um autêntico drama humano”.

Não temos mais nada além da fé

Há alguns dias, em diálogo com a AIS, o Arcebispo maronita de Damasco (Síria), Dom Samir Nassar, assinalou que no país “se pode morrer de várias maneiras”, devido à violência cruel. “Todos vão empobrecendo pouco a pouco. As pessoas já gastaram as suas economias. Todos precisam de ajuda”, denunciou na entrevista difundida em 23 de outubro.

O Arcebispo disse que na adversidade está se manifestando “uma volta à fé. As pessoas rezam muito mais. As Igrejas estão muito tempo abertas; e para lá vão muitos fiéis, que frequentemente passam horas rezando em silêncio. Não têm mais nada além da fé. Estão em um beco sem saída esperando a morte”.

“No final da missa se despedem porque não sabem se voltarão a ver-se no dia seguinte. Há um ambiente de resignação. As pessoas se abandonam à própria sorte. Quer dizer, é uma situação muito difícil”.

O Arcebispo maronita disse que “como Igreja, fazemos agora nem tanto trabalho pastoral, mas sim social e tentamos mitigar as necessidades das pessoas. Isto é a única coisa que temos atualmente, pois não há nenhuma outra ajuda. A família é, na realidade, a única instituição intacta. A família é o que ajuda, compartilha e apoia. A identidade familiar está muito acentuada. Sem família, seria um desastre total”.

Dom Samir Nassar indicou que embora não tenha dados precisos, observou-se uma queda no número de batismos e casamentos. “Agora, o que aumenta é o número de enterros. Temos que ampliar o nosso cemitério. Antes, nossos projetos eram um jardim de infância ou uma escola; agora é ampliar o cemitério cristão”, expressou.