OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO


Desse ditado de Jesus já nasceram poemas e livros. Ele nos leva a contemplar a natureza, obra de Deus e objeto de seu cuidado. No entanto, há o perigo de entender mal a proposta de Jesus. Muitos pensam que ele nos ensina a viver na ociosidade, esperando tudo do céu de braços cruzados. Ainda mais no mundo de hoje, em que tudo exige planejamento.
A despreocupação a que – à primeira vista – o evangelho parece nos convidar não tem nada que ver com comodismo ou com a fuga de responsabilidade. Pelo contrário, Jesus convida seus seguidores a fazer a opção preferencial por ele e pelo seu reino.
Não é possível, diz Jesus, servir a Deus e à mamona (riqueza conseguida de forma injusta e posta a serviço da exploração). Servir ao dinheiro seria transformá-Io numa alternativa a Deus, torná-Io substituto de Deus. Não é possível servir a dois senhores ao mesmo tempo de forma satisfatória. É necessário fazer uma escolha. Não podemos andar em dois barcos, com um pé em cada um.
Jesus aponta para o centro da questão: buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. Aqui está o resumo do sermão da montanha. Imaginemos uma sociedade governada diretamente por Deus. Com certeza, ninguém passaria fome nem sofreria qualquer outra necessidade básica. Reino de Deus significa todo o bem que Deus quer para cada uma de suas criaturas. Em outras palavras, significa vida digna para todos.
É esse o mundo que precisamos construir. Nele não haveria tantas preocupações para sentirmos necessidade de buscar supérfluos. Mas, como estamos longe dessa realidade, cada um ainda procura viver para si e acumular o máximo que pode – fim de, supostamente, garantir uma vida melhor e um futuro mais tranquilo.
Quando o reino de Deus ocupar o primeiro lugar – quando for uma “preocupação” – nas nossas atividades do dia a dia, o mundo será bem melhor e não faltará nada de fundamental a ninguém. O evangelho propõe novo humanismo que ponha a riqueza a serviço da vida. A humanização da economia ou a economia solidária, proposta por Jesus, é necessária hoje mais do que nunca.

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