Papa aos consagrados: Testemunhar alegria de sentir-se amado por Deus

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Neste sábado, 16, o Papa Francisco encontrou-se com as comunidades religiosas da Coreia do Sul. Cerca de cinco mil religiosos e religiosas reuniram-se com o Santo Padre no Centro de Treinamentos “School of Love”, na cidade de Kkottongnae, a 90km de Seul.

Devido ao atraso no programa papal, a Celebração das Vésperas não foi realizada, mas o Papa manteve seu discurso.

O Santo Padre destacou a grande variedade de carismas e atividades apostólicas ali representadas que, enriquecem “de forma maravilhosa, a vida da Igreja na Coreia e para além dela”.

Recordando as palavras do salmo “Minha carne e meu coração desfalecem; rochedo do meu coração e minha porção é Deus para sempre!” (Sl 73, 26), o Papa disse que este trecho faz pensar na própria vida.

Francisco explicou que a alegria não se expressa da mesma forma em todos os momentos da vida, principalmente nos de grande dificuldade. Entretanto, ela sempre permanece como um feixe de luz que nasce da certeza de sentir-se infinitamente amado.

“A firme certeza de ser amados por Deus está no centro da vossa vocação: ser para os outros um sinal tangível da presença do Reino de Deus, uma antecipação das alegrias eternas do céu”, enfatizou.

O Pontífice destacou ainda que é com esse testemunho alegre que os cristãos irão atrair homens e mulheres para Cristo. Uma alegria, que segundo ele, é um dom que se alimenta de uma vida de oração, da meditação da Palavra de Deus, da celebração dos Sacramentos e da vida comunitária.

“Quando faltam estas coisas, aparecerão as fraquezas e dificuldades que obscurecem a alegria conhecida tão intimamente no início do nosso caminho”, disse.

Vida comunitária

O Papa explicou que tanto os carismas mais contemplativos, quanto os mais ativos, são chamados ao mesmo desafio: tornar-se especialistas na misericórdia divina precisamente através da vida em comunidade.

Francisco disse que, por experiência própria, a vida comunitária nem sempre é fácil. Contudo, é um terreno providencial para “a formação do coração”.

“Não é realista esperar que não haja conflitos: surgirão incompreensões e será preciso enfrentá-las. Mas, apesar destas dificuldades, é na vida comunitária que somos chamados a crescer na misericórdia, na paciência e na caridade perfeita”.

Obediência, pobreza e castidade

O Pontífice afirmou que a vivência da castidade, pobreza e obediência serão um testemunho jubiloso do amor de Deus, na medida em que os consagrados permanecerem firmes sobre “a rocha da Sua misericórdia”.

E destacou que isso é verificado especialmente no que se refere à obediência religiosa. “Uma obediência madura e generosa exige que adirais na oração a Cristo, o qual, assumindo a forma de servo, aprendeu a obediência por meio do sofrimento. Não há atalhos: Deus quer os nossos corações por inteiro, e isso significa que temos de nos ‘desapegar’ e ‘sair de nós mesmos’ sempre mais”.

Sobre a castidade, Francisco explicou que ela exprime a doação exclusiva de si mesmo ao amor de Deus e afirmou que é de conhecimento de todos que essa vivência requer um exigente empenho pessoal. Entretanto, as tentações neste campo requerem confiança humilde em Deus, vigilância e perseverança.

O Santo Padre disse ainda que é através do conselho evangélico da pobreza, que os religiosos serão capazes de reconhecer a misericórdia de Deus não só como fonte de fortaleza, mas também como um tesouro.

E exortou que a pobreza deve encontrar expressão concreta no estilo de vida dos consagrados, tanto de forma pessoal como comunitária. “Penso de modo particular na necessidade de evitar todas as coisas que vos possam distrair e causar confusão e escândalo nos outros. Na vida consagrada, a pobreza tanto é um ‘muro’ como uma ‘mãe’: um ‘muro’ porque protege a vida consagrada, e uma ‘mãe’ porque a ajuda a crescer e a conduz pelo justo caminho”.

Dom da vida consagrada

O Papa pediu ainda aos religiosos e religiosas para, com grande humildade, fazer tudo o que puderem para demonstrar que a vida consagrada é um dom precioso para a Igreja e para o mundo.

“Não o guardeis só para vós mesmos; partilhai-o, levando Cristo a todos os cantos deste amado país. Deixai que a vossa alegria continue a encontrar expressão nos vossos esforços por atrair e cultivar vocações, reconhecendo que todos vós colaborais para formar os homens e mulheres consagrados de amanhã”.

E concluiu seu discurso, confiando às comunidades religiosas presentes o zelo pela Igreja na Coreia e no desejo de contribuir para a missão de proclamar o Evangelho e edificar o povo na unidade, santidade e amor.