Temos que ir para as periferias, mas não de mãos vazias

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O cardeal norte-americano Raymond Burke, em recente entrevista, reconheceu que existe entre os fiéis católicos uma sensação de que a Igreja está parecendo “um navio sem leme”. A entrevista foi interpretada como se o cardeal, que é o prefeito da Assinatura Apostólica no Vaticano, estivesse questionando algumas das políticas e rumos adotados pelo papa Francisco.

Entretanto, o que Burke declarou na entrevista é justamente que ele não quer dar a impressão de estar falando contra o papa. E esclareceu quais foram, de fato, as observações que fez sobre a diretriz de que a Igreja vá até “as periferias existenciais”: ela deve ir, é claro, mas não de mãos vazias; ela deve ir para levar a conversão, e não para se render aos apelos culturais do nosso tempo.

No mês passado, o agregador de notícias laico BuzzFeed publicou uma entrevista com o cardeal que foi amplamente interpretada como uma crítica ao papa Francisco. A organização que tinha formatado a entrevista para o BuzzFeed divulgou um comunicado para esclarecer que o cardeal não tinha feito afirmação alguma de que Francisco estivesse prejudicando a Igreja.

Em uma nova entrevista, publicada pelo semanário religioso espanhol Vida Nueva e reproduzida por diversos outros meios de comunicação de vários países e idiomas, o cardeal Burke informa que muitos fiéis manifestaram a ele as suas preocupações quanto aos rumos que a Igreja está tomando no atual pontificado. “Neste momento muito crítico, existe uma forte sensação de que a Igreja parece um navio sem leme, qualquer que seja a razão para esta sensação”, disse o cardeal. “É mais importante do que nunca examinarmos hoje a nossa fé, termos um líder espiritual saudável e darmos um poderoso testemunho da fé”.

Continuando a usar a metáfora náutica, o cardeal observou que muitas pessoas estão se sentindo “um pouco ‘mareadas’ porque acham que a barca da Igreja perdeu o rumo. Nós precisamos superar a causa dessa desorientação porque, na verdade, nós não perdemos o rumo. Nós temos a tradição duradoura da Igreja, os seus ensinamentos, a liturgia, a sua moralidade. O catecismo da Igreja continua sendo o mesmo”.

O cardeal Burke afirmou que concorda com o papa Francisco quando ele fala da necessidade da Igreja de “sair para as periferias” e de levar o Evangelho até as pessoas marginalizadas pela sociedade. “As pessoas têm respondido muito calorosamente a esta exortação”, considera ele. “Mas não podemos ir para as periferias de mãos vazias. Nós vamos lá com a Palavra de Deus, com os sacramentos, com a vida virtuosa no Espírito Santo. Eu não estou dizendo que isto se aplique ao papa, mas existe um risco de que o encontro com a cultura esteja sendo mal interpretado. A fé não pode se adaptar à cultura do momento; a fé deve é chamar a cultura para a conversão. Nós somos um movimento de contracultura, não um movimento popular”.

 

John Burger – aleteia.org